
A câmera foca Maradona, que se debate na beira do gramado. Leva as mãos ao rosto em qualquer lance com traços pouco mais dramáticos. Vê o chute por cima de Messi e deseja ser ele, novamente, a vestir a camisa 10 portenha. Daria tudo por essa chance. Acredito que até mesmo passearia nu diante do obelisco.
Durante essa catarse pública, diante de mais de um bilhão de pessoas ao redor do mundo, a Alemanha, adversária da Argentina nas quartas da Copa do Mundo, trata de jogar. E jogar muito. Troca passes diante de um desesperado Mascherano, único jogador de contenção escalado no meio-campo. Os alemães parecem se multiplicar. Otamendi pára para contar se estão mesmo em 11, ou colocaram mais alguém em campo. Como não faz duas coisas ao mesmo tempo, Otamendi leva mais uma bola nas costas. Mais um gol germânico.
Schweinsteiger parece não conhecer nenhum zagueiro adversário. Passa sempre reto, nem ao menos meneia a cabeça, em uma simples saudação. Leva pavor ao frágil goleiro Romero. Maradona, nesse momento, sai de seu estado de transe e vê Klose, o segundo maior artilheiro das Copas do Mundo, com 14 gols (e que pode superar o brasileiro Ronaldo, que tem 15) triunfar sobre o perdido Demichelis.
O técnico argentino olha novamente para Messi, que tenta se desvencilhar da forte marcação teutônica. Bem que o craque do Barcelona poderia jogar o mesmo pela seleção, pelo menos agora. Mas tudo parece conspirar contra a Argentina. Até mesmo um gol de Higuaín, após passe de Tévez, ambos impedidos até a medula, foi anulado. "Como ousam!", pensou Dieguito, o técnico. Os hermanos não estão acostumados a terem gols ilegais anulados...
O juíz apita. Final de jogo. Não houve drama, não haverá tango. Para tanto, deveria haver dramaticidade. Não houve. O que se viu no Soccer City neste sábado, foi uma sumanta. A Argentina foi desmontada pela organizadíssima Alemanha, do técnico Joachim Löw. As 64 mil almas que estiveram no estádio viram um espetáculo de coliseu, com os leões devorando covardemente as vítimas. Um placar inapelável, 4 a 0, gols de Müller, Friedrich e Klose, duas vezes.
Se ontem o técnico Diego Armando Maradona era todo gracinhas após o Brasil ser eliminado, perguntando se havia muitos holandeses em sua entrevista coletiva, hoje foi reduzido ao que realmente é, depois que parou de jogar futebol: mais um argentino arrogante, que não mensura o que fala e, no caso dele, não sabe o que faz. Adiós, Dieguito! Mala Suerte!
3 comentários:
Isso, foi a melhor coisa q ocorreu nessa copa. VIVA A "ARRENTINA"... depois da derrota, "pó de haver" uma recaida.
Visão de entrelinhas. Muito bom!
Parabéns pelo texto De.
Bjos
e o polvo acertou todas, eu queria a laranja campeã, mas enfim.... baita copa do mundo e parabens pelo blog de véio, abs
bola
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